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Boa leitura!
ESTRUTURA -
1 - FOLHA DE ROSTO
1.a - Cabeçalho: nome da instituição de ensino, nome da disciplina, nome do professor, nome do aluno;
1.b - Meio da folha: título da pesquisa;
1.c - Parte inferior da folha: local e data.
Identificação das partes (itens / capítulos) do PAPER, com a indicação da página inicial de cada uma delas.
3 - INTRODUÇÃO
Exposição do objeto e dos objetivos; identificação das metodologias utilizadas na pesquisa; síntese das conclusões.
4 - DESENVOLVIMENTO
Corpo do trabalho, em itens ou capítulos; dispostos em equilíbrio e concatenados com lógica.
5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Resumo do que foi exposto e tratado; e convite ou não à contribuição acadêmica de outros pesquisadores.
6 - REFERÊNCIAS DAS FONTES CITADAS
Citação das fontes efetivamente utilizadas, como livros, capítulos de livros, artigos de revistas, artigos científicos de periódicos, teses de doutorado, dissertações de mestrado, ensaios, resenhas, e-books, jurisprudências, leis e normas e outras fontes, todas conforme a ABNT.
7 - ANEXO(S) - se for o caso, dispostos de acordo com a ABNT.
CONSELHOS PRÁTICOS
1 - Utilidade prática do modelo acima, como roteiro para elaboração de um PAPER, em disciplina da graduação ou pós-graduação (lato ou stricto sensu);
2 - Salve no computador a estrutura do modelo e utilize-o nas diferentes disciplinas, adaptando caso a caso, com olhar crítico e reflexivo;
3 - Ao desenvolver o trabalho, utilize as técnicas da metodologia científica, que conhece, ou ainda, que encontre neste blog.
Fonte: Cesar Luiz Pasold. Metodologia da Pesquisa Jurídica - teoria e prática. 15a. edição. Florianópolis: emais editora, 2021. (adaptado por mim)
Algumas referências conforme a ABNT...
et al - utilizado para citações com mais de três autores. Exemplo: ECO; CHOMSKY; BOBBIO; MIRANDA, => ECO et al.
Apud quer dizer "citado por". É usado no momento em que existe uma citação dentro de uma citação. Como exemplo, pretende-se citar um trecho do texto de um autor 'X' em que este cita o trecho da obra de um outro autor 'Y'.
Ibid. "Ibidem" quer dizer "na mesma obra". É usado no momento em que se faz citações consecutivas de uma mesma obra.
Op. cit., ou "opus citatum" quer dizer "obra citada". É usado no momento em que a citação é retirada de uma obra já citada no texto, mas é intercalada por citações de outras obras.
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7. Conclusões
Na íntegra - Págs. 160 e 170.
Gostaria de concluir com duas observações: fazer uma tese significa divertir-se, e a tese é como porco: nada se desperdiça.
Quem quer que, sem prática de pesquisa e temeroso da tese que não saiba como fazer, tenha lido este livro, pode ficar aterrorizado. Quantas regras, quantas instruções. Impossível sair são e salvo...
E, no entanto, a verdade é bem outra. Para ser exaustivo, tive de supor um leitor totalmente desprovido de tudo, mas cada um de vocês, lendo algum livro, já se apossou de muitas das técnicas de que se falou. Meu livro serviu, não obstante, para recordar todas elas, para trazer à luz da consciência aquilo que muitos de vocês já haviam absorvido sem se dar conta disso. Mesmo um motorista, quando começa a refletir sobre seus próprios gestos, se dá conta de ser uma máquina prodigiosa que em frações de segundo toma decisões de importância vital sem se permitir qualquer erro. No entanto, quase todo mundo sabe dirigir um automóvel, e o número razoável de pessoas que morrem de acidentes na estrada nos diz que a grande maioria consegue sair viva.
| Umberto Eco Foto: Wikipédia |
Há uma satisfação esportiva em dar caça a um texto que não se encontra, há uma satisfação de charadista em encontrar, após muito refletir, a solução de um problema que parecia insolúvel.
Viva a tese como um desafio. O desafiante é você: foi-lhe feita no início uma pergunta a que você ainda não sabia responder. Trata-se de encontrar a solução em um número finito de lances. Às vezes a tese pode ser vivida como uma partida a dois: o autor que você escolheu não quer confiar-lhe o seu segredo, terá de assediá-lo, de interrogá-lo com delicadeza, de fazê-lo dizer aquilo que ele não queria dizer mas que terá de dizer. Às vezes a tese é um puzzle. você dispõe de todas as peças, cumpre fazê-las entrar em seu devido lugar.
Se jogar a partida com gosto pela contenda, fará uma boa tese. Se partir já com a idéia de que se trata de um ritual sem importância e destituído de interesse, estará derrotado de saída. Neste ponto, já o disse no início (e não mo obrigue a repetir porque é que é ilegal), encomende sua tese, copie-a, mas não arruíne sua vida nem a de quem irá ajudá-lo e lê-lo.
Se fez a tese com gosto, há de querer continuá-la. Comumente, quando se trabalha numa tese só se pensa no momento em que ela estará terminada: sonha-se com as férias que se seguirão. Mas se o trabalho for bem feito, o fenômeno normal, após a tese, é a irrupção de um grande frenesi de trabalho. Quer-se aprofundar todos os pontos que ficaram em suspenso, ir no encalço das idéias que nos vieram à mente mas que se teve de suprimir, ler outros livros, escrever ensaios E isto é sinal de que a tese ativou o seu metabolismo intelectual, que foi uma experiência positiva. É sinal, também, de que já se é vítima de uma coação no sentido de pesquisar, à maneira de Chaplin em Tempos Modernos, que continuava a apertar para fusos mesmo depois do trabalho: e será preciso um esforço para se refrear.
| Foto: Pixabay |
Se, de qualquer forma, se dedicar a pesquisa, descobrirá que uma tese bem feita é um produto de que se aproveita tudo. Como primeira utilização você extrairá dela um ou vários artigos científicos ou mesmo um livro (com alguns aperfeiçoamentos). Mas com o correr do tempo voltará à tese para tirar dela material de citação, reutilizará as fichas de leitura usando partes que porventura não tenham entrado na redação final do primeiro trabalho; as partes que eram secundárias na tese surgirão como início de novos estudos... Pode mesmo suceder que você volte à sua tese dez anos depois. Porque ela ficará como o primeiro amor, e ser-lhe-á difícil esquecê-la. No fundo, será esta a primeira vez que você fez um trabalho científico sério e rigoroso, e isto não é experiência de somenos importância.
Observe aqui um exemplo de fichamento dessa obra de Umberto Eco!